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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ficar sem ser - Hilda Hist

"Nenhum de de nós quer morrer. 
Queremos ficar, ainda que seja a marretadas, no coração do outro.
 Nenhum de nós quer não ser.
                          Aliás, como seria não ser mais, já tendo sido um dia?"

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Recuos - Hilda Hist

Em consideração a mim,
cobri-me de recuos.

Eu, que de docilidade me fizera.
Antes avara desse tempo que resta.
Se em muitos me perdi, uma que sou
É argamassa e pedra.
Guardo-te a ti.

Em consideração a mim.
Redescoberta.


domingo, 5 de setembro de 2010

Minha desordem - Hilda Hist

Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
colada à tua boca, mas escomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te
ôfrega
Como se fosses morrer colado à
minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do
amanhecer.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Reflexão - Hilda Hist


... pergunta no mais fundo de ti,

no teu abismo,

se é maior teu espaço de amor!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Ama-me - Hilda Hist

Ama-me.
É tempo ainda.
Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida avidez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora
Há tanto tempo sua própria tessitura.
Ama-me.
Embora eu te pareça
Demasiado intensa.
E de aspereza.
E transitória
se tu me repensas.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sonetos que não são - Hilda Hist

Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atentae bela.
Aflição de não ser agrande ilha
Que te retém e não tedesespera.(A noite como fera se vizinha.)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, sem ter como
E sendo água, amor, querer ser terra.

sábado, 6 de junho de 2009

Este amor - Hilda Hist

Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas.
E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena.
E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A fome do primeiro grito - Hilda Hist

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim,
como se tu me olhasses.
E era como se a água desejasse.
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo.
Entendo que sou terra.
Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu.
Pastor e nauta
Olha-me de novo.
Com menos altivez
e mais atento.