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domingo, 18 de março de 2012

Encantamento - Manoel de Barros

"Que a importância de uma coisa há que ser medida
pelo encantamento que a coisa produza em nós..."


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Para refletir - Manoel de Barros


"Tem mais presença em mim o que me falta"

domingo, 19 de junho de 2011

Intimidade - Manoel de Barros

"A gente só descobre isso depois de grande(…).
Que o tamanho das coisas há que ser medido
pela intimidade que temos com as coisas.
Há de ser como acontece com o amor”.

in 'Memórias Inventadas'

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O menino que carregava água na peneira - Manoel de Barros

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira

Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os
vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos.



PS - Talvez a solução prás nossas aflições esteja em "escrever" - dar vasão ao sentimentos,
vou fazer disso uma terapia!

domingo, 16 de maio de 2010

Entendimento - Manoel de Barros

"Para entender nós temos dois caminhos:
o da sensibilidade que é o entendimento do corpo;
e o da inteligência que é o entendimento do espírito.
Eu escrevo com o corpo.
Poesia não é para compreender,
mas para incorporar.
Entender é parede;
procure ser árvore."