UMA COLETÂNEA DE PENSAMENTOS É UMA FARMÁCIA MORAL ONDE SE ENCONTRAM REMÉDIOS PARA TODOS OS MALES - Voltaire
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Mudanças - Deepak Chopra
A vida me ensinou... - Charles Chaplin
A vida me ensinou...A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas", embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi,
e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar,
lhe dando forma da maneira que eu escolher.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Amor e seu tempo - Carlos Drummond de Andrade
Amor é privilégio de madurosestendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida.
Amor começa tarde.
in "Alguma poesia"
Crise de abstinência - Elizabeth Gilbert
"O vício é a marca de toda história de amor baseada na obsessão.Tudo começa quando o objeto de sua adoração lhe dá uma dose generosa e
alucinante de algo que você nunca ousou admitir que queria
- um explosivo coquetel emocional, talvez,
feito de amor estrondodo e louca excitação.
Logo você começa a precisar dessa atenção intensa
com a obsessão faminta dequalquer viciado.
Quando a droga é retirada,
você imediatamente adoece,
louco e em crise de abstinência
[sem falar no ressentimento para com o traficante que incentivou você
a adquirir seu vício, mas que agora se recusa a descolar o bagulho bom (...) ]
Triste você constata que venderia sua alma,
roubaria seus vizinhos só para ter aquela coisa mais uma vez que fosse".
do livro "Comer Rezar Amar"
Cuidado - Fal Azevedo
"Cuidado com quem não sangra,com quem não tem nenhuma cicatriz,
nenhum esqueleto no armário,
nenhum corpo no porta-malas do carro,
nenhuma marca do tempo e nem arrasta,
vez por outra,
umas correntezinhas pela casa mal-assombrada.
Cuidado, sobretudo,
com esses debilóides que repetem
o que ouviram alguém mais debilóide ainda dizer
“na vida só me arrependo do que não fiz”.
Essa gente é um perigo.
Alguma coisa ali é péssima:
ou a memória ou o caráter.
Hum, ou ambos."
Poema de amor - Maiakovski
Nunca fui do tipo meloso,por isso poemas melosos nunca me encantaram,
este é o poema de amor mais lindo que já conheci.
Enquanto muitos morrem de amor e pelo amor,
Ele poeticamente e lindamente vive o amor
E não me lançarei no abismo,
Enquanto muitos morrem de amor e pelo amor,
Ele poeticamente e lindamente vive o amor
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
O último poema - Manuel Bandeira
Assim eu quereria meu último poemaQue fosse terno
dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse
a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Mudanças constantes - Paulo Coelho
Podemos acreditar que tudo que a vida nos oferecerá no futuroé repetir o que fizemos ontem e hoje.
Mas, se prestarmos atenção, vamos nos dar conta de que nenhum dia é igual a outro.
Cada manhã traz uma benção escondida;
uma benção que só serve para esse dia e que não se pode guardar nem desaproveitar.
Se não usamos este milagre hoje, ele vai se perder.
Este milagre está nos detalhes do cotidiano;
é preciso viver cada minuto porque ali encontramos a saída de nossas confusões,
a alegria de nossos bons momentos,
a pista correta para a decisão que tomaremos.
Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior
porque todos os dias são diferentes,
porque estamos em constante processo de mudança.
Fazer o amor bonito - Arthur da Tavola
"Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar:aprenda a fazer bonito o seu amor.
Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito.
Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito.
Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.
Tenho visto muito amor por aí,
Tenho visto muito amor por aí,
Amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros,
cheios de entrega, doação e dádiva,
mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito.
Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção.
Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.
Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais
Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais
de repente se percebeu ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender;
necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões.
Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor.
Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reinvindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira.
Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.
Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito?
Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito?
De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível? Talvez não.
Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar,
para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.
Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito.
Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança. E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.
Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia.
Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia.
Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre.
Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando;
não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, “aquela conversa importante que precisamos ter”,
arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida.
Para quem ama toda atenção é sempre pouca.
Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível.
Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter.
Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos) :
Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos) :
não teorize sobre o amor, ame.
Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.
Não tenha mêdo exatamente de tudo o que você teme, como:
Não tenha mêdo exatamente de tudo o que você teme, como:
a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito);
abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente.
Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas,
atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido):
seja apenas você no auge de sua emoção e carência,
exatamente aquele você que a vida impede de ser.
Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs.
Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores.
Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil.
Revivendo os carinhos que instruiu em criança.
Sem mêdo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade.
Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor,
Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor,
ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito
(a ordem das frases não altera o produto),
sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca,
deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser.
Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto.
Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto.
Não se preocupe mais com ele e suas definições.
Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado.
Cuide do carinho. Cuide de você.
Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor
e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz. "
Carente - Clarice Lispector
Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdise imaginar que alguém me está dando a mão.
A verdade não faz sentido,
a grandeza do mundo me encolhe.
Aquilo que provavelmente pedi e finalmente tive,
veio no entanto me deixar carente como uma criança
que anda sozinha pela terra.
in A Paixão Segundo G.H
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