domingo, 31 de outubro de 2010

Não olhe pra trás - Dinho Ouro Preto

Nem tudo é como você quer
Nem tudo pode ser perfeito
Pode ser fácil se você
Ver o mundo de outro jeito

Se o que é errado ficou certo
As coisas são como elas são
Se a inteligência ficou cega
De tanta informação

Se não faz sentido, discorde comigo
Não é nada demais, são águas passadas
Escolha uma estrada
E não olhe, não olhe prá trás

Você quer encontrar a solução
Sem ter nenhum problema
Insistir em se preocupar demais
Cada escolha é um dilema

Como sempre estou
Mais do seu lado que você
Siga em frente em linha reta
E não procure o que perder

Se não faz sentido, discorde comigo
Não é nada demais, são águas passadas
Escolha uma estrada
E não olhe, não olhe prá trás...

Pousa um momento - Fernando Pessoa

Pousa um momento,
Um só momento em mim,
Não só o olhar, também o pensamento.
Que a vida tenha fim
Nesse momento!

No olhar a alma também
Olhando-me, e eu a ver
Tudo quanto de ti teu olhar tem.
A ver até esquecer
Que tu és tu também.

Só tua alma sem tu
Só o teu pensamento
E eu onde, alma sem eu. Tudo o que sou
Ficou com o momento
E o momento parou.

Aos Deuses sem fiéis - José Saramago

Talvez a hora escura, a chuva lenta,
Ou esta solidão inconformada.

Talvez porque a vontade se recolha
Neste findar de tarde sem remédio.

Finjo no chão as marcas dos joelhos
E desenho o meu vulto em penitente.

Aos deuses sem fiéis invoco e rezo,
E pergunto a que venho e o que sou.

Ouvem-me calados os deuses e prudentes,
Sem um gesto de paz ou de recusa.

Entre as mãos vagarosas vão passando
A joeira do tempo irrecusável.

Um sorriso, por fim, passa furtivo
Nos seus rostos de fumo e de poeira.

Entre os lábios ressecos brilham dentes
De rilhar carne humana desgastados.

Nada mais que o sorriso retribui
O corpo ajoelhado em que não estou.

Anoitece de todo, os deuses mordem,
Com seus dentes de névoa e de bolor,
A resposta que aos lábios não chegou.

Dois - Pablo Nerruda

Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
... Sempre...
... A se olharem...
Pensar talvez:
" Paralelos que se encontram no infinito...".
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.

O tempo é um fio - Henriqueta Lisboa

O tempo é um fio
bastante frágil
Um fio fino
que à toa escapa.

O tempo é um fio.
Tecei! Tecei!
Rendas de bilro
com gentileza.

Com mais empenho
franças espessas.
Malhas e redes
com mais astúcia.

O tempo é um fio
que vale muito.

Franças espessas
carregam frutos.
Malhas e redes
apanham peixes.

O tempo é um fio
por entre os dedos.
Escapa o fio,
perdeu-se o tempo.

Lá vai o tempo
como um farrapo
jogado à toa.

Mas ainda é tempo!

Soltai os potros
aos quatro ventos,
mandai os servos
de um pólo a outro,
vencei escarpas,
voltai com o tempo
que já se foi!...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Nosso reflexo - Elizabeth Gilbert

"É impossível ver o próprio reflexo em águas movimentadas,
isso só é possível em águas paradas."

in "Comer, rezar e amar".

Eu, meus defeitos... - William Douglas

"Quanto a meus erros, lembre que meu amor imperfeito era minha declaração mais pura,
meu mais sincero ofertório.
Ao lhe submeter os meus defeitos, juntamente com minhas virtudes, eu lhe oferecia o que realmente era.
Você só poderia me ter por completo se tivesse meus entraves,
mas um dia eu ainda seria melhor para que você percorresse meus jardins
sem qualquer pedra ou sobressalto".

in " A última carta do tenente" Pag. 29.

O custo da vida - Willian P Young

" - Querido, não existe resposta fácil para sua dor.
Acredite, se eu tivesse uma, usaria agora.
Não tenho varinha mágica para fazer com que tudo fique bem.
A vida custa um bocado de tempo e um monte de relacionamentos. "


in "A Cabana" pág. 83

Já era... - Chico Buarque



“Não há mais porta,
mas também não tenho mais vontade de entrar."


Imobilidade - Fabrício Carpinejar


Enfrentei a saudade, contive o ímpeto da falta.
Confesso que a imobilidade doeu mais do que um movimento abrupto.
Se realizasse o ato banal, vestiria novamente os fantasmas.
A casa não era mais minha. Os hábitos não eram mais meus.
Não tinha mais obrigação com o passado.
Sequei o rosto com os próprios punhos.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sonhos e ilusões - Fernando Pessoa

Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Exclusões - Verônica H.

Vou dispensando tudo o que não julgo suficiente pra me roubar a solidão.
Vou excluindo do meu convívio todos que não parecem prontos
pra marcar meu dias.
E vou me excluindo um pouquinho também,
Vou me dispensando sem pudores,
porque é mais fácil me deixar de lado
do que lidar com a minha falta de coerência.


Aprenda - Darcy Ribeiro

“Trate de aprender tudo o que puder.
Saber demaisnão ocupa lugar. Ignorância, sim.
A sabedoria anda solta por aí para a gente aprender o que quiser”.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Intensidade - Clarice Lispector



Impossível enquadrar o que lateja,

o que arde,

o que grita dentro de nós...


Fracasso e sucesso - Roberto Shinyashiki

Não confunda derrotas com fracasso nem vitórias com sucesso.
Na vida de um campeão sempre haverá algumas derrotas,
assim como na vida de um perdedor sempre haverá vitórias.
A diferença é que, enquanto os campeões crescem nas derrotas, os perdedores se acomodam nas vitórias.

Sabedoria - Humberto de Campos

“A natureza é sábia e justa.
O vento sacode as árvores, move os galhos,
para que todas as folhas tenham o seu momento de ver o sol”.

domingo, 24 de outubro de 2010

Ver além - Caio F Abreu


"Quem só acredita no visível tem um mundo muito pequeno..."

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Simples - Carl G Jung

Conheça todas as teorias,
domine todas as técnicas,
mas quando tocares uma alma humana,
seja apenas outra alma humana.

... - Carlos Drummond de Andrade


"Um dia desses,

eu separo um tempinho

e ponho em dia

todos os choros

que eu não tenho tido tempo de chorar."

O chamado do Amor - Ana Jácomo

"Tudo que sabemos a respeito do amor é inacabado.
A cada pretensa linha de chegada,
o nosso entendimento se depara com uma nova linha de partida.
A cada porta atravessada, encontramos mais à frente uma outra para ser aberta.
Fonte inesgotável de vida, o amor é um caminho que clareia, progressivamente,
à medida em que o percorremos.
É como se cada passo nosso descortinasse um pouco mais da sua luz.
A jornada é feita de dádivas e alegrias,
mas também de imprevistos, embaraços, inabilidades, lições de toda espécie.
De vez em quando tropeçamos nos trechos mais acidentados.
Depois levantamos e prosseguimos: o chamado do amor é irrecusável para a alma.
Desistir dele para ela, é como desistir de respirar."