
Não tenho nada a deixar,
além do que já “me dei”
além do meu verso torto,
e da minha rima pobre,
penso, não há o que sobre.
Por isso, sem testamento:
não deixo nada a ninguém;
nem parente, nem amigo,
nem mesmo os mais belos momentos
pois estes, os levo comigo.
Não há o que procurar
nas gavetas, nos armários,
além de um escapulário
e uma imagem de Santa Rita.
Mas tem sim, coisas bonitas,
que eu deixarei, bem no fundo:
o amor que eu sempre dei,
a fé que animou minha vida,
e o filho que pus no mundo!
Poema publicado em 2007, Mara faleceu 27/06/2011 e foi sepultada hoje.
3 comentários:
Olá Adélia
Aqui estou, depois de muito ler e me emocionar com os textos e frases que encontrei aqui em seu blog...
Muito, muito bonito, e essa poesia é comovente.
Resolvi escolher essa para deixar meu comentário e minha admiração pelo seu bom gosto e escolhas excelentes.
Abraços e feliz semana prá você.
Oi Selma !
Recebi seu e-mail, o qual me emocionou muito... Vc escolheu esta poesia prá colocar seu comentário; fiquei feliz por isso, a autora dessa poesia é minha amiga e deixou-nos a poucos dias, mas continua viva na memória, na poesia e no coração.
Obrigada pelas lindas palavras !
Beijos !
Adélia
Olá Adelia,
Fico muito honrado e feliz por teres escolhido algumas poesias da minha mãe.
Ela foi uma pessoa muito, mas muito especial, forte, frágil e cheia de amor por todos.
Peço que me envie o seu endereço físico. Não moro no Brasil, mas pretendo até o final do ano publicar um livro (só para família e amigos) com algumas das poesias dela (do Recanto das Letras e do nosso arquivo pessoal), o qual pretendo enviar para você.
Abraços,
Maico Weiss
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