quinta-feira, 8 de julho de 2010

Um sonho num sonho - Edgar Allan Poe

Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir.
E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas,
quando comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo,
o que sou e suponho não é mais do que um sonho num sonho.
Fico em meio ao clamor,
que se alteia de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura com bem força,
que é de ouro essa areia.
São tão poucos!
Mas, fogem-me, pelos dedos,
para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus!
E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus!
E não posso salvar um ao menos da fúria do mar?
O que vejo,
o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?

4 comentários:

Marliborges disse...

Amiga,
Que maravilha de poema! Simplesmente lindo! Adorei.

Crônicas do Cotidiano disse...

É mais que um poema... Um novo olhar! Lindooo
Bjaumm

M. S. Mazzini disse...

Estava passeando por este mundo de blogs, sem destino, quando encontrei o seu. Surpreendente e belissimo, devo dizer.
As imagens, as escolhas de textos, poemas e frases. Muito bom!

Cida disse...

Amei o poema!

Ótima escolha, e obrigada por partilhá-lo conosco.

Tenha uma semana feliz.

Cid@