quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Duração - Carlos D de Andrade

O tempo era bom? Não era
O tempo é, para sempre.
A hera da antiga era
roreja incansavelmente.


Aconteceu há mil anos?
Continua acontecendo.
Nos mais desbotados panos,
estou me lendo e relendo.

Tudo morto, na distância
que vai de alguém a si mesmo?
Vive tudo, mas sem ânsia
de estar amando e estar preso.


Pois tudo enfim se liberta
de ferros forjados no ar.
A alma sorri, já bem perto,
da raiz mesma do ser.


in 'As Impurezas do Branco'

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